26 de set. de 2016

25-09-16

Ele tomou a bebida das oferendas

Era um dia de cão
dor e sofrimento na cidade

A solidão o pegou firme naquele tempo

Um frio no coração

A cabeça quente como uma chapa de padaria

A alma vazia e machucada, cicatrizes de fatos temerários
de desilusões de grandes dimensões.

Ele tomou a bebida das oferendas
espantou os cães das beiradas da cidade...

Whisky japonês, torta escocesa, relógio francês
espada baiana, terno holandês, charuto italiano,
batuque alemão, vinho suíço, nazista cubano...

A música era indigesta, toda letra revogada,
todos órgãos rejeitados.

A chapa da cabeça fritou o cérebro que derreteu e saiu pelo nariz,
mas a enxaqueca continuou, estranhamente (?)

Aquele foi um dia de cão, de tantos tempos
se arrastando, sendo humilhado pelos minutos,
julgado a cada hora nova e velha.

Mas o dia seguinte chega para o justo humano
que segue, que valoriza a vida ainda que insana.

Só viu quem foi, só sabe quem passou...

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