05-08-15
Algo dentro de mim clama por um positivismo redentor
Mas uma ancora me capta e me lembra sempre
Da minha visão turva e meu rastro de auto sabotagem
Há uma chaga aberta mas tudo que jorra é invisível
Memórias que são um veneno letal
Mas tenho um vigor enorme, irritante... Uma tenacidade fantástica e verdadeiramente admirável, ao lado de uma instabilidade colossal
E esta batalha de opostos, engrenagens, cordas, cabos e correntes se mordendo
suga-me o que jamais houve: um eu definido, uma auto imagem... Toma o que me foi dado de mãos vazias.
Sobra o meu ritmo mambembe
Um pulsar irrequieto
Uma certeza de que calado e distante faço melhor, cuidando da sobrevivência, da manutenção dos termos
Não me falta uma peça do quebra-cabeça, simplesmente não há peça alguma, nem tabuleiro ou jogo
Seria a ira dos santos? O desprezo do capeta? Ou simplesmente "o demônio do meio dia"?
Eu recolho todos os cacos destas farsas, penso na prática, na realidade dura dos meus ancestrais, na minha barriga cheia para a qual qualquer queixa é vergonhosa... sigo adiante, arrebentando os obstáculos e criando montanhas de entulho como bagagem...
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